NK “1.850.000AC E HOJE”
Baku não existia. Arusha, avó de Namna, estava presente nos seus antepassados, os grandes tigres. Namna era projeto distante. Faz, acredite, um milhão e oitocentos e cinqüenta mil anos aC! Estes tigres não existem mais, o siberiano, maior depredador da região mais fria da atual tundra russa.
E foi assim, a tigreza jovem caiu na armadilha da sedução. Lutou. Foi brava. Valente. É como tinha que ser. Força era beleza, era fecundidade, era o desejo acumulado durante meses. O urro dela, o urro dele, sinalizou. Era a senha.
O embate se estendeu pelo dia inteiro. À noite, exaustos e saciados, dormiram aquecendo-se mutuamente. O embate foi como devia ser: felino... Sanha de respeito.
08/11/2007
A senha revela o encontro que Namna chama de “predestinado”. As naturais arestas individuais afloram, exigem que sejam abrandadas em busca do equilíbrio e convivência. O embate é a luta feroz que busca a derrota das indesejáveis diferenças. A sanha não evidencia o campeão, mas torna ambos vencedores. Nos trilhos da paz, constrói a vivência compartilhada do amor.
23/04/2008 itac.
Hoje (10/06/2008 ou 1.850.000aC) longe do espelho não me via. Estava diferente, sim. Mutação progressiva, lenta, imperceptível, inicialmente. Envolvido em névoa azulada, vivenciava uma “inteligência superior” em mim, nunca antes percebida. Esta “inteligência” monitorava a mutação. Percebi alteração do “sentir”. A “inteligência” cedia espaço a um sentir original, algo em mim tinha uma excitante certeza: estar intensamente vivo. Apenas sabia que era eu inteiro e verdadeiro. Não havia tensão, ao contrário, um comportamento lúdico, leve, amoroso, com sutil prazer.
Somente percebi minha aparência – pêlo rajado, peso, presas, quatro patas no chão – quando encostei-me na tigresa, quente, lânguida, olhar felino de desejo e sorriso de encontro.
Tempo não existia, também não importava. O frio do tempo, este sim, era real, neve espessa, branca, crepitante. Não senti frio. Sentia extraordinária liberdade e sensação única em ser “eu”.
Ser “eu” novamente?!
Rolamos pela neve, pela encosta, em direção ao rio congelado. Nosso pêlo, olhos, brilhavam à luz do sol. Nosso cheiro embriagava...
Não lembro do retorno. Voltei com a certeza de que relutei em desejar retornar.
10/11/2008
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/ab
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
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