Europa gelada. São 29.000 anos passados. Vinha pela trilha na mata ora densa e úmida ora descampada e luminosa. Exausto de muitos dias de caminhada, caminhando em busca do encontro. Raios de sol apontaram um espaço luminoso. Passos acelerados e sem me incomodar com inúmeros cortes nas pernas e braços provenientes da mata mais cerrada, me aproximei e vi três humanos a beira do cristalino lago. Pequeno lago ladeado de areia branca. Elas me viram... Duas correram para a mata. Uma permaneceu e seu olhar assustado não evitou o encontro que Namna chama de “predestinado”.
Seu pequeno e escuro rosto emoldurado pelos vastos cabelos despenteados flagrava um sorriso malicioso. Ao mesmo tempo assustado. Era a senha!
Corri em sua direção. Estava nu e visivelmente excitado. Seu pequeno corpo, seios endurecidos, dentes a mostra... expressão selvagem... Senha confirmada. Correu para a margem oposta enquanto a perseguia. Tinha que possuí-la. A excitação dobrava-me a força e a velocidade. Ao alcança-la, indiferente as mordidas e unhadas, levei-a ao chão, fina areia branca e quente. Posse e entrega resumiam o encontro desejado e permitido de dois corpos vencidos pelo embate selvagem.
Assim Namna me atraiu para o inesquecível e longo encontro. A ausência de comunicação articulada era substituída pelos altos grunhidos e largas gesticulações. A posse física de Namna – não obstante aparente violência – demonstrava posse e...afeto. Amor?
Próximo a rústica moradia entalhada na natural saliência da imensa rocha (perfil de índio D.Juan?) ouvia-se durante longas horas da noite intenso embate. A sanha! Seguiu-se prolongado silêncio. A fogueira apagou. No abraço aguardávamos a luz da manhã.
Acordamos, assim, 29.000 anos após. Abraçados. Aconteceu...
/a rev.23/04/2008
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